Tuesday, November 12, 2013

A sazonalidade do AMOR

Estamos numa geração que ama muito. Ou melhor, diz que ama muito. Ou tecla que ama...

Mas o que é o amor afinal? Como amar tanta gente ao mesmo tempo e como “fazer a manutenção” desse amor?

Nós já amamos muito uma amiga ou amigo da escola. Esta era uma pessoa que sabia de nós quase como nós mesmos. Principalmente as mulheres, partilham cada detalhe de sua vida com a melhor amiga. Nos tempos atuais, onde reinam as redes sociais, muitos amigos ou seguidores sabem da nossa vida mesmo que haja menos amor entre nós. Mas este é um assunto que deve ser tratado de forma isolada em outro texto.

Agora a minha indignação está focada em como a forma de amar, intensidade de amar e demonstração de amor muda com o tempo.

Acredito que em algum momento da vida, você amou uma pessoa sem reservas e foi amado de uma forma muito intensa, mas fugaz. E não me refiro ao amor dos relacionamentos entre homem e mulher. Estou pensando nos amores de amigos e familiares. Pessoas importantes em nossa vida. Várias pessoas vêm a minha mente. Pessoas que eu pensei que fariam parte da minha vida pra sempre. E que simplesmente se foram. Ou pessoas que eram tão próximas, mas que hoje, apesar de ainda serem presentes na minha vida, já não fazem tanta falta. Pra mim, um grande sinal que uma pessoa é amada, é quando acontece algo ruim ou algo maravilhoso e imediatamente essa é a primeira pessoa que eu penso. E tenho vontade de ligar e partilhar esse momento, que pra mim, é algo importante.

Eu tinha esse relacionamento com a minha avó materna. Principalmente quando acontecia algo muito bacana, imediatamente eu ligava e contava pra ela. Após anos de sua morte, a minha memória do amor ainda funciona bem. Quando algo extraordinário acontece, ela sempre vem a minha mente e penso que já não posso ligar, mas ela sabe o que quero dizer.

Tive amigos de infância, adolescência e amigos atuais, que amei e ainda amo. Mas que simplesmente se afastaram e não fazem mais parte do meu dia a dia. Apesar de ter certeza que o sentimento permanece ali, a prática já não existe mais. São pessoas que não sabem mais o que se passa na minha vida e eu não participo dos momentos cotidianos delas. E não é falta de amor. A gente percebe quando reencontra uma pessoa dessas. O carinho e a saudade são intensos.

É como se o amor tivesse uma sazonalidade. Há momentos de pico. Momentos em que se pratica, que se demonstra o amor.  

Manter o amor sempre em alta é algo que exige um certo esforço. E não é qualquer um que está disposto a isso.

Às vezes, sem querer ou sem entender, o amor vai ficando ali só como um sentimento. Não é demonstrado, não é vivido. Amor só sentido é amor subutilizado!